O papel da Transformação Digital na Educação

Se você é daqueles que acha que a educação no Brasil é defasada, saiba que a resposta para isso está (também) na falta de investimento em tecnologia.

Criança clicando em um celular em cima da mesa.

Hoje eu vou falar de duas coisas que eu adoro: tecnologia e educação. Aliás, meu maior prazer como empresário foi poder ter condições de ter como meu próprio negócio uma plataforma de cursos da área de tecnologia, há 10 anos. Além disso, eu sou formado em Neurociência do Aprendizado — ou seja, esse é um assunto que realmente sou apaixonado!

Mas enfim, fica tranquilo que esse artigo não é pra fazer propaganda dos meus cursos! O assunto, na verdade, é bem mais sério: como a transformação digital pode mudar o rumo da educação (incluindo o Brasil).

Sou um extremo defensor da tecnologia nos processos de aprendizado; para mim, as tecnologias disruptivas vieram para facilitar essa etapa. Porém, infelizmente isso está longe de ser um olhar generalizado, especialmente de quem cuida desse tópico aqui no Brasil.

Nesse artigo, vou te mostrar os benefícios da transformação digital na educação, além de procurar explicar um pouco do contexto atual desse assunto aqui no país. Assim, a gente reflete junto sobre essa lacuna que considero tão terrível pra quem é brasileiro.

Os benefícios da Transformação Digital na educação

Pois bem, vou iniciar essa discussão levantando quais seriam os principais benefícios da transformação digital na educação.

Pensando que na transformação digital, temos a tecnologia nas operações de negócios para atender aos requisitos de um cliente, no caso da educação, esses clientes poderiam ser alunos, professores/corpo docente e funcionários do âmbito administrativo.

Melhora na acessibilidade e acesso

A transformação digital traz melhorias visíveis no campo da acessibilidade à escola, aulas e programas de graduação para alunos de todas as idades.

Algo muito bacana que podemos ressaltar nesse sentido é o fato da tecnologia proporcionar uma maior inclusão de pessoas com deficiência.

Um exemplo disso são os programas de conversão de texto em fala e que transcrevem conteúdo ditado, ajudando esses alunos a acessarem as informações obtidas na escola.

Além disso, quando digo acesso, quero falar da possibilidade de todos estarem conectados à escola, mesmo que morem longe do ambiente físico. É claro que isso está longe de ser uma realidade no Brasil, já que, apesar de ter ocorrido um aumento na quantidade de brasileiros com acesso a internet, nem todas as pessoas têm a possibilidade de estarem conectadas. Segundo pesquisa do IBGE, 82,7% dos domicílios brasileiros nacionais possuem acesso à Internet.

Abordagens de aprendizagem diferenciadas

Uma grande vantagem que a tecnologia oferece para o campo educacional é a possibilidade de explorar diversos métodos de aprendizagem, muitos deles adaptáveis de acordo com cada aluno.

Com isso, temos um ambiente que realmente ensina, preparando melhor os estudantes. Simulados online, cartões de estudo interativos e formas de gamificação são possibilidades nesse cenário.

Um bom exemplo disso é o “Terra dos Mártires”, um game desenvolvido pela Clickideia para uma escola de São Gonçalo-RN e que retrata/ensina sobre o Massacre de Uruaçu, um ponto importante da história da cidade. Para saber mais sobre o jogo, eu recomendo o artigo abaixo:

Incorporação da Internet das Coisas (IoT) no ambiente escolar

Os dispositivos “inteligentes” vieram para ficar. A Internet das Coisas é algo que já faz parte do dia a dia das pessoas. Mas como ela pode influenciar o ambiente escolar?

Bom, ela pode melhorar a estrutura de uma escola, por exemplo, especialmente aspectos de segurança e conforto, ao mesmo tempo que pode diminuir alguns custos. Em um segundo nível, podemos pensar na IoT em sistemas de controle de temperatura, fornecendo uma experiência de aprendizado muito mais confortável.

Se olharmos mais além, a Internet das Coisas também ajuda as escolas a se conectarem com os alunos. É possível monitorar o progresso e verificar se o trabalho foi recebido.

Enfim, temos uma infinidade de possibilidades! Se você ficou curioso e quer conferir exemplos reais da IoT no ambiente escolar, dá uma conferida nesse artigo:

Além disso, se você não entende muito bem o conceito de IoT, tem outro artigo bem legal que eu descobri aqui no Medium:

Big Data para conhecer os alunos

Se você já entrou em uma secretaria escolar, sabe como existe uma baita papelada com informações sobre os alunos, incluindo dados demográficos, turmas e notas.

Agora pense como o Big Data pode oferecer a oportunidade de ir muito mais longe nessas informações, entendendo seu comportamento.

Lembrando que, o Big Data nada mais é do que recursos tecnológicos que rastreiam grandes quantidades de dados, e que os interpreta com a ajuda de algoritmos para encontrar algum tipo de padrão ou informação útil.

No caso das escolas, essas informações úteis seriam:

  • Onde os alunos se saem melhor e pior. Assim, poderíamos explorar as áreas específicas em que eles se destacam, usando isso para ajuda-los no processo de aprendizagem;
  • Tendências para entender seus alunos e suas possíveis reações a determinados métodos de ensino, como aulas online.

Atuando em conjunto com a área de Data Analytics, o céu é o limite para o Big Data na educação!

Qual o caminho a ser percorrido no Brasil?

Ué, se a transformação digital é tão importante para a educação, o que devemos fazer para adotá-la nos ambientes de ensino do Brasil?

Para ser sincero, o caminho é extremamente complexo e a transformação digital no setor da educação não parece ser uma realidade nos próximos anos.

Veja só, a McKinsey realizou um estudo com 124 empresas de grande e médio porte do Brasil, para mensurar a maturidade digital dessas organizações que atuam no país.

Sobre as empresas da área educacional, foi destacado a forma como elas utilizam dados e modelos para a personalização dos serviços oferecidos aos clientes — por exemplo, uma plataforma personalizável de ensino à distância.

Porém, a pesquisa destacou que esse setor apresenta dificuldade em adotar modelos mais sofisticados de análises estatísticas, além de precisar lidar com a falta de talentos e profissionais especialistas na área digital e de analytics.

É importante dizer que esse levantamento foi feito com empresas que são líderes do seu segmento. Se pensarmos em instituições de educação básica, esse cenário é ainda mais catastrófico.

Vale dizer também que, em relação às tecnologias disruptivas, o Brasil está extremamente atrasado até mesmo se nos compararmos com nossos vizinhos da América Latina. Para ilustrar, ocupamos o 6º lugar da AL no ranking de preparo para Inteligência Artificial, uma dessas tais tecnologias disruptivas. No mundo, ocupamos o 63º, segundo o 2020 Government AI Readiness Index.

Então, a educação é apenas mais uma vítima do atraso tecnológico que o Brasil vive até agora.

Conclusão

Com tudo isso que foi dito, fica claro que, assim como várias tarefas do dia a dia, a educação também vai passar pela transformação digital. Isso não é apenas uma tendência, mas uma obrigação, visto que a educação é um ponto vital para a sociedade.

No contexto brasileiro, seria fundamental termos um direcionamento dos esforços para a transformação da educação. Porém, fica difícil ter qualquer esperança, já que questões básicas de tecnologia — como o acesso à internet para todos — ainda são um desafio.

Eu, como amante da tecnologia e também um educador, fico na torcida para que essa situação mude o mais rápido possível.

Se você gostou desse artigo, não deixe de me seguir nas minhas redes sociais: @adrianopontocafé e aqui no Medium!

CEO & Fundador da PMG Academy | MBA-FGV | Pós-Graduado Neurociência Educacional | Consultor de TI | Design Instrucional na https://www.pmgacademy.com

CEO & Fundador da PMG Academy | MBA-FGV | Pós-Graduado Neurociência Educacional | Consultor de TI | Design Instrucional na https://www.pmgacademy.com